
Em emocionado depoimento à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), nesta quinta-feira (7), a ativista Lilian Tintori criticou duramente o regime chefiado pelo presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, e pediu ao Brasil que “se levante e alce sua voz para ajudar cada venezuelano a levantar as bandeiras da democracia e dos direitos humanos”.
Esposa do líder de oposição Leopoldo López, ela estava acompanhada de Mitzy Capriles, esposa do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, e de Rosa Orozco, que teve uma filha assassinada durante manifestação contra o governo em Caracas. Leopoldo López está preso há mais de um ano. Também está na cadeia o prefeito de Caracas.
— O mundo inteiro sabe que na Venezuela não se vive em uma democracia. Mais de 80% dos venezuelanos pedem mudança. Necessitamos de ajuda dos países da região — disse Lilian na abertura da audiência pública promovida pela comissão, que contou com a presença de diversos deputados e foi realizada no auditório 2 da Ala Nilo Coelho, mais amplo que o reservado às reuniões ordinárias do colegiado.
Além de participar da audiência, as duas esposas foram recebidas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowsky. Mas não conseguiram marcar encontro com a presidente Dilma Rousseff.
Segundo Lilian, ocorreram 25 mil mortes por violência na Venezuela no ano passado. Existem grandes filas para comprar alimentos, há dificuldade para se obter remédios e a inflação já alcança 74%. Além disso, observou, existem 89 presos políticos no país vizinho. Por sua vez, Mitzy lembrou que seu marido foi “simplesmente arrancado de seu posto de trabalho”, na prefeitura de Caracas, e está preso há três meses.
No depoimento mais contundente, Rosa Orozco informou que sua filha de 23 anos foi baleada “à queima-roupa” por um integrante da Guarda Nacional em 19 de fevereiro de 2014, simplesmente por participar de uma manifestação com cartaz contra o governo, e morreu dois dias depois. Ela mostrou aos parlamentares fotos de sua filha baleada.
— Não podemos permitir que essas coisas sigam acontecendo. Temos uma milícia de coletivos, que são pessoas civis armadas, que vivem matando os que opinam diferente do governo. É uma violação à minha alma, a minha vida se foi com minha filha — disse Rosa.
Ao abrir a reunião, Aloysio disse ter ouvido de Mauro Vieira que uma comissão de representantes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) tem contribuído para reduzir as tensões na Venezuela. Ele lamentou, porém, que as violações aos direitos humanos tenham se multiplicado depois das eleições presidenciais e que o governo brasileiro não tenha, até o momento, tomado uma atitude mais enérgica para reagir a esse fato. O senador recordou ainda que, como integrante do Mercosul, a Venezuela tem de seguir a chamada “cláusula democrática” do grupo, estipulada pelo Protocolo de Ushuaia.
— O Brasil quer ter peso cada vez maior nas decisões internacionais. Temos pretensão de ocupar uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, além do desejo de ser peça-chave em negociações sobre o comércio internacional. Por que o Brasil não atua com seu peso próprio pelo menos nas questões fundamentais como direitos humanos e democracia? Um país do nosso tamanho não pode se omitir nessa questão — afirmou Aloysio.
Juntamente a ele na Mesa, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) relatou ter percebido em recente encontro sobre direitos humanos realizado no Peru uma “enorme cobrança de posicionamento mais claro do Brasil” em relação ao tema. A presença de parlamentares da base de apoio ao governo na reunião foi considerada pelo senador um sinal de que “começa a haver constrangimento” em relação à “cômoda omissão” do governo brasileiro em relação à situação da Venezuela.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) participou da reunião da CRE. A parlamentar gaúcha disse que os depoimentos foram comoventes e salientou que as três mulheres também expressaram de modo corajoso o desejo de se manterem na luta pelo direito de expressão e pelas liberdades em seu país.
— Tudo nos remete à necessidade de mantermos, em nosso próprio país, a democracia. Esse contraditório que nós temos aqui na Casa, com muita frequência, em que podemos divergir, mas sempre no campo das ideias, jamais ir para o campo da violência — comentou.
A parlamentar lembrou que domingo é comemorado o Dia das Mães no Brasil – a data também será comemorada na Venezuela – e lamentou o fato de que mães irão chorar no país vizinho por não terem mais seus filhos, vítimas de assassinatos covardes apenas por pensarem de maneira distinta.
— Manifesto minha solidariedade a essas bravas mulheres que estão lutando com altivez e coragem, não só defendendo a pátria onde nasceram, mas os sentimentos de relação humana dentro dos princípios de democracia — completou Ana Amélia, que também acompanhou as venezuelanas no encontro ocorrido logo em seguida na Presidência do Senado.
Por: Agência Senado e Assessoria de Imprensa - 05/05/2015
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