Acordo Transpacífico pode ser ameaça ao setor agrícola brasileiro, diz ministro Mauro Vieira


Acordo Transpacífico pode ser ameaça ao setor agrícola brasileiro, diz ministro Mauro VieiraAcordo Transpacífico pode ser ameaça ao setor agrícola brasileiro, diz ministro Mauro Vieira

 

Em audiência nesta terça-feira (24) no Senado, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Acordo Transpacífico pode ser uma ameaça ao Brasil no setor agrícola. Para o ministro, que falou aos membros da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), a entrada do Japão nas negociações tornou o acordo muito mais significativo.

O chanceler ressaltou, no entanto, que o Transpacífico — que reúne países das Américas, Ásia e Oceania — levará anos para se consolidar e que algumas garantias presentes no acordo já estão em plena vigência entre alguns dos 12 países membros.

— Na área agrícola os grandes mercados do Transpacífico aplicam restrições tarifárias significativas. Isso pode trazer prejuízos para o Brasil. Em agricultura, mais do que as barreiras tarifárias, são as barreiras sanitárias que podem ser importantes. Isso é sem dúvida alguma um tema de interesse e de acompanhamento.

Mauro Vieira também garantiu que o Brasil continuará nas negociações pela retomada da Rodada de Doha, tema em que a atuação do país foi criticada pelos senadores Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Ana Amélia (PP-RS). Desenvolvida no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), desde 2001, a Rodada de Doha tem como objetivo reduzir as barreiras comerciais no mundo.

Além da Rodada de Doha, ele destacou que a presidente da República, Dilma Rousseff, considera prioritário o acordo entre Mercosul e União Europeia.

Venezuela

Outro tema discutido entre senadores e o ministro foram as eleições parlamentares na Venezuela, marcadas para 6 de dezembro. O senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE) afirmou que o Brasil não tem se manifestado sobre o caso e mencionou a rejeição, pela Venezuela, do nome do ex-ministro Nelson Jobim como observador da Unasul no pleito.Vieira negou ter ouvido veto venezuelano a Jobim.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) pediu que o Brasil se posicione publicamente sobre medidas antidemocráticas ocorridas naquele país.

- Dirigentes, líderes políticos estão presos, não têm condição de usar os meios de comunicação. O que eu espero é que o governo brasileiro tenha uma palavra pública para expressas o mínimo de solidariedade com os democratas venezuelanos.

Mauro Vieira disse que o Brasil acompanha o processo eleitoral junto à Unasul, mas sem a participação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 


Por: Agência Senado e Assessoria de Imprensa - 24/11/2015