
Senado homenageia tradições gaúchas
O compromisso de entidades em cuidar da memória, das tradições e da história do Rio Grande do Sul – através dos versos, das músicas, das danças, da culinária e da indumentária – mantém viva a cultura dos gaúchos. Em reconhecimento ao papel dessas entidades, o Senado Federal celebrou nesta segunda-feira (23), em sessão especial, requerida pela senadora Ana Amélia (Progressistas-RS), os 70 anos do "35" CTG, os 150 anos do Partenon Literário, os 80 anos da Sociedade Gaúcha de Lomba Grande e os 70 anos da Comissão Gaúcha de Folclore.
Nesses espaços, além da história do RS, são enaltecidos valores essenciais para os gaúchos: cordialidade, coragem, respeito e união da família. Ana Amélia lembrou que os CTGs, devido à "diáspora de bombachas", têm nas últimas décadas enriquecido a cultura de todo o Brasil com a força das tradições gauchescas. Ela destacou que muitos dos líderes desses movimentos, como Paixão Côrtes, não imaginariam que as tradições gaúchas ganhariam o mundo com tanta intensidade.
— São 3,7 mil Centros de Tradições Gaúchas espalhados pelo Brasil. Centenas deles indo do Uruguai até a longínqua China, unindo brasileiros para rememorar histórias, cevar um chimarrão e degustar um bom churrasco. Não há nenhum estado neste país em que não exista ao menos um CTG, graças à diáspora de bombachas — disse.
O papel destes movimentos culturais na transmissão de valores aos mais jovens também foi enfatizado por Nairioli Callegaro, do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Especialmente no mundo de hoje, pois as novas gerações, graças ao grande desenvolvimento das tecnologias da informação, podem desgarrar-se de sua própria cultura.
— Não devemos nos comportar como um clube associativo. Temos que nos propor à transformação social, a sociedade brasileira clama por isso hoje. E nós não podemos ficar para trás, temos que nos inserir nestes tempos de mudança e sermos percebidos como uma cultura viva, pulsante pelos mais jovens — afirmou Callegaro, lembrando que os primeiros CTGs foram abertos por jovens gaúchos na década de 1940, que souberam conciliar a tradição com a modernidade.
Para a Gleicimary Borges, que exerce o cargo de patroa do CTG, o movimento tradicionalista gaúcho adquiriu uma dimensão tão expressiva que tornou-se "a maior manifestação sócio-cívica-cultural de um povo em todo o mundo". Ela também entende que a modernidade impõe novos desafios, por isso os galpões dos CTGs devem estar "sempre e totalmente abertos, como templos da cultura gaúcha voltados para todas as famílias".
Falando pelo Partenon Literário, a escritora Dinara da Paixão lembrou que a instituição já participava de campanhas anti-racistas, por direitos feministas e por uma maior inclusão educacional ainda no século 19, pautas que permanecem atuais.
O presidente da Comissão Gaúcha de Folclore, Octávio Cappuano, ressaltou que a entidade participa de congressos, seminários, mesas redondas em todo o País, publica obras de seus associados, possuindo um acervo de diversos títulos. Também lembrou que a comissão instituiu a Comenda Dante de Laytano para homenagear estudiosos do folclore e culturas populares que já possuem trabalhos publicados e a Medalha Lilian Argentina Braga Marques, oferecida a pessoas que se destacam em alguma área da cultura.
A fundação da Sociedade Gaúcha de Lomba Grande, em 31 de janeiro de 1938, foi rememorada pelo presidente José Luiz Amaral Silveira. É a quinta entidade mais antiga do Estado. Foi criada por 22 descendentes de imigrantes alemães que moravam na zona rural do Município de Novo Hamburgo e, por isso, estavam integrados aos costumes gaúchos.
— Nossos fundadores
Por: Agência Senado e Assessoria de Imprensa - 23/04/2018
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