
Preocupação de produtores de leite com excesso de volume importado será debatida na Comissão de Agricultura do Senado
A preocupação dos produtores de leite gaúchos com o volume excessivo de produtos lácteos importados pelos Brasil e os impactos negativos no setor será tema de audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, presidida pela senadora Ana Amélia (PP-RS), nesta sexta-feira (7). A reunião, em Brasília, terá início às 14h, com transmissão da TV Senado.
O assunto foi abordado com a senadora Ana Amélia pelo presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Alexandre Guerra, em Brasília, nesta semana, e por representantes de entidades ligadas aos produtores de leite, em Ijuí, na região Noroeste, maior produtora de leite no RS, no último dia 22. A partir dos relatos, a parlamentar decidiu convidar lideranças do setor e representantes do governo para debater o tema e encontrar uma alternativa.
Conforme dados do Sindilat/RS, o Brasil importou 153,38 milhões de quilos de produtos lácteos nos primeiros oito meses de 2016, um aumento de quase 80% em relação ao mesmo período no ano anterior. Enquanto isso, as exportações de lácteos do Brasil para o mercado externo foram bem menores. Nos primeiros oito meses de 2015, o país exportou 45,19 milhões de quilos, enquanto nos primeiros oito meses deste ano o volume exportado foi de 32,25 milhões de quilos, uma queda de quase 30%.
A situação já tem impactado negativamente na indústria e na renda dos produtores. No Rio Grande do Sul há mais de 105 mil famílias produtoras de leite, entre 850 mil em todo o país.
Alexandre Guerra sugere como alternativa a criação de cotas para a importação procedente do Uruguai, de onde vem o maior volume, assim como já existe para a Argentina. Dessa forma, explica ele, não haveria surpresa com um ingresso de produtos em volume exagerado em determinados períodos do ano, evitando um desconforto comercial.
— Não somos contra a importação, o que queremos é saber quanto vai entrar para não criar desequilíbrios. É importante que sejam criadas cotas, principalmente na questão do leite em pó. Podem até ser cotas flexíveis durante o ano, mas que sejam estabelecidas — afirmou.
O presidente do Sindilat/RS também informou que o setor está trabalhando para abrir novos mercados. O tema também deve ser abordado na audiência pública desta sexta-feira, no Senado. Recentemente, lideranças do setor acompanharam comitivas do Ministério da Agricultura, com esse propósito, em missões à Ásia, à Rússia e à China.
Foram convidados para o debate representantes dos ministérios das Relações Exteriores (MRE), e Agricultura (MAPA), representantes do Sindilat/RS, Fetag/RS e da Aliança Láctea Sul-Brasileira.
Por: Agência Senado e Assessoria de Imprensa - 05/10/2016
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