"O Brasil é uma nação sem consciência da sua própria grandeza", diz general Villas Bôas


 

 

O Brasil é uma nação sem consciência da sua própria grandeza e das riquezas presentes em seu território. A afirmação foi feita pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, em audiência pública nesta quinta-feira (22) na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

O general revelou que projeções trabalhadas pelo Exército calculam em cerca de U$ 23 trilhões o potencial em recursos naturais existente apenas na região amazônica. Apesar disso, não existiria nenhum projeto específico de aproveitamento destas gigantescas riquezas, refletido ainda no entender de Villas Bôas na ausência de um projeto nacional como um todo. 

Respondendo ao questionamento da senadora Ana Amélia (PP-RS), Villas Bôas tocou no delicado tema da intervenção militar. O general foi taxativo "trata-se de hipótese absolutamente afastada". Ana Amélia fez referência ao movimento nas redes sociais de pessoas que acreditam ser essa a melhor opção para enfrentar a crise. 

A parlamentar gaúcha também indagou ao general sobre a possibilidade de evasão de militares para o setor privado, já que os salários são baixos comparados com outras carreiras públicas. Villas Bôas garantiu que a evasão é baixa e o ingresso na carreira militar grande. No último concurso houve 30 mil candidatos inscritos para 450 vagas, com aumento na participação de mulheres. 

Villas Bôas voltou a reiterar declarações recentes dadas à imprensa para quem "o Brasil está à deriva, sem rumo", como consequência de um acúmulo de crises que iria além de seus aspectos econômicos. Fez questão de reiterar que este diagnóstico não se aplicaria à atual gestão federal, pois este processo "já vem há muito tempo".

Villas Bôas entende que um dos equívocos cometidos pela sociedade brasileira foi deixar-se levar pelas linhas de confrontação ideológica existentes na Guerra Fria, o que dividiu setores, levou ao abandono de um projeto nacional e evolui hoje para a "perda da identidade e o estiolamento da auto-estima".

- Se fôssemos um país pequeno, poderíamos nos agregar a um projeto de desenvolvimento de um outro país. Como ocorre com muitos. Mas o Brasil não pode fazer isso, não temos outra alternativa a não ser sermos uma potência. Não uso esse termo na conotação negativa, relacionada a imperialismo, mas no sentido de que necessitamos de uma densidade muito grande - explicou.


Por: Agência Senado e Assessoria de Imprensa - 22/06/2017